de onde tudo se diz a esmo


Julho 26, 2007, 12:50 pm
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Meus olhos brasileiros sonhando exotismos.
Paris. A torre Eiffel alastrada de antenas como um caranguejo.
Os cais bolorentos de livros judeus
e a água suja do Sena escorrendo sabedoria.

Meus olhos brasileiros se enjoam da Europa.

Chega!
Meus olhos brasileiros se fecham saudosos.
Minha boca procura a “Canção do Exílio”.
Como era mesmo a “Canção do Exílio”?
Eu tão esquecido de minha terra…
Ai terra que tem palmeiras
onde canta o sabiá!

(Alguma Poesia, Carlos Drummond de Andrade, pag 27)

devidamente selecionado por Menina Carvalho



novos habitos
Junho 27, 2007, 8:56 am
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Adquiri dois novos hábitos nessa temporada em terras francesas: beber água e ler jornal. O comum entre esses dois costumes, e que ambos me dão vontade de ir ao banheiro. Eu explico.

Eu não era habituado a água, e geralmente meus dias eram regados a sucos ou refrigerantes. Hoje, praticamente só bebe água. Impulsivamente! Em casa, uma garrafa fica ao lado da minha cama, e outra na minha escrivania. Sobre minha mesa, no escritório, ficam três copos que são renovados ao menos quatro vezes por dia. O resultado é um trabalho excessivo da bexiga, que me faz ir ao banheiro inúmeras vezes ao dia.

Com o jornal a caso é diferente. Não, não é numero 2. E também não vou ao banheiro para ler o jornal. Bom, eu comecei a ler jornal para me manter informado, portanto leio jornal brasileiro. Metódico: começo pelo UAI, passo pelo Estado de Minas, uma leve bisbilhotada na Folha e no UOL, e termino com o José Simão. A impressa brasileira é FFVC: futebol, fofoca, violência e corrupção. O resultado dessa leitura é vontade de vomitar!

Noticia bombante de hoje: “cadáver invade casa e município é condenado a pagar R$ 35 mil”! (leia aqui) A prefeitura esta ressuscitando mortos? Pela lei, a prefeitura é obrigada a prender cadáveres? Essa noticia não devia estar na pagina policial? Na verdade não sei o que é pior, a situação descrita na noticia ou a noticia em si, começando pelo titilo.

Complicado! E eu querendo voltar… Ò céus, a ministra tem razão, tem relaxar e gozar!

E eu vou pegar mais água.



Estocolmo
Junho 5, 2007, 12:54 am
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Este texto pode ser considerado um parentêse neste blog. Estou cansado e minhas ideias estão embaralhadas, mas, como queria de todo jeito escrever algo, vou escrever. Mas ja previno, desde inicio, a desorganização e a falta de preocupação com logica sequencia e estética. Se você passar daqui, boa sorte!

Queria ter escrito na sexta, mas não deu. Claro que o “não dar” significa dar preferencia a certas coisas, em detrimento de outras. Mas o fato é que eu tive um bom alibi: trabalhei demais, e sai tarde do trabalho direto pro aeroporto. Destino: Estocolmo.

O meu trabalhar demais significa produzir bastante resultado, ao ponto de ter do de cabeça de tão entretido. Cheguei mesmo ao ponto de inverter os papeis: sexta feira eu dei trabalho à minha chefe. Afinal, um pouquinho nao faz mal! Ela, que tem a vida tão boa… Essa semana começou no mesmo ritmo, mas sem render muito. Não estou achando o que me foi pedido. Alias, nem acho necessario, mas isso é outra historia.

Volto pra Estocolmo, é mais interessante. Oh cultura nordica que é diferente… Adorei as ilhas, a arquitetura, o clima. Tudo isso compensa a lingua, que tem uma sonoridade muito desagradavel.

Bom, visitei dois museus, e foram os mais diferentes e os que mais gostei. Um era a céu aberto, e mais me parecia um zoologico. Tinha varios animais que eu nunca tinha visto, entre eles o wolverine, urso e um outro que parecia um chupa cabra. Alem disso, eles construiram varias “cidades” pra mostrar como eram as pessoas, as casas, os costumes. Tinha uma casa com grama no telhado! E sem falar numa outra muito pequena com 7 camas pequenas para 14 pessoas. As pessoas dormiam duas a duas, e sentadas. Segundo a suposta residente: “eles ainda não tinham inventado deitar naquela época”.

O outro museu era dedicado a um barco. Na guerra entre Polonia e Suécia, o rei sueco mandou construir um barco suntuoso, pra mostrar toda riqueza, todo o poder e toda a cultura de seu pais. Gastou-se tempo e dinheiro, e então o barco partiu à guerra. Passados 20 minutos ele naufragou. Não se sabe as causas, mas é certo que foi erro de projeto. Tempos depois coneguiram resgatar o barco, limparam, restauraram e fizeram um museu contando sua historia e o contexto da época. Mesmo que ver Piratas do Caribe! Muito interessante, muito bonito! Esse pessoal das antigas era relamente vaidoso. E burro!

Gostei da arquitetura: predios estreitos e altos, todos em cores diferentes e na mesma arquitetura meio quadrada. Lindo! Bom contraste com ruas de paralelepipedo, e as aguas abundantes. Os telhados sempre bem inclinados. Deve ser para a neve. Alias, deve ser triste o inverno, imagino que seja completamente escuro, pois agora, no verão, não teve noite. Muito legal: o céu não ficou escuro. O sol se pôs pra la de 23h, ficou um crepusculo, e às 3h ja era dia denovo. Fantastico isso. Pegamos dias ensolarados, quentes e animados. Não consigo imaginar a morbidez de um inverno rigoroso.

Pegamos também um festival gastronômico. Com show com direito a musica do U2, Beatles e Guns. Bem gostoso e animado. Mas é preciso dizer pra eles que gastronomia não é apenas frango à milanesa com batatas fritas.

Quando falo no plural, é porque incluo o pessoal que foi comigo: cinco brasileiros, cinco espenhois e um grego. Sabem qual a maneira mais facil de reencontrar um grupo de espanhois em viagem? Ficar parado! Eles têm movimentos aleatorios, andam em circulos, não sabem o que querem. Acabamos fazendo programas diferentes. Ainda bem, porque não me agrada a ideia de dormir em carro. haha Eles não acharam albergue pro primeiro dia, dai alugaram um carro. Cada louco com sua mania… E tiveram ouras também, mas fico aqui.

Vou colocar em breve as fotos aqui. Mas deixa voltar à minha realidade primeiro…Até a proxima!



1 mês: loucura!
Maio 30, 2007, 9:57 pm
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Outro dia, em seus momentos de philosophia (a dele é com ph!), meu pai me escreveu: “a vida é dinâmica, e muda sempre, pois até o mundo gira!” A sentença é tão verdadeira que o dinamismo é diario, e o mundo, esse ja esta me deixando tonto de tanto girar. E uma esperança corre solta pela madrugada.

O fato é que a semana realmente veio. E veio bem, bem… bem semana. Perdi a noção do tempo. Bem, mas vou contextualisar antes de ir além…

Comecei o estagio para validar a parte pratica do master. Pela escola sou obrigado a, pelo menos, quatro meses de estagio e, no final, defender uma tese. As duas datas de defesa propostas foram: começo de julho ou final de setembro. Como em setembro eu ja estarei em aula na UFMG, marquei para julho, 6 de julho. Um mês para escrever uma tese, que devera obrigatoriamente, devido à uma clausula de confidencialidade no contrato, ser diferente da abordagem feita no estagio. E se não bastasse essa exigencia de criatividade, eles exigem paciência (aconselhavel pelo menos 100 paginas), e exigem compreensão (devera ser em francês). Socooooorro!

Como diz o outro, problema pouco é bobagem. Então junto com a tese, a escola mandou outro presente: uma avaliação oral, sobre um tema que sera sorteado. E o pior, sera nesse meio tempo, antes da defesa. E antes da defesa também, eu terei que entregar o resultado no estagio. E, por la, as coisas não andam muito boas. Alguém pode imaginar minha cabeça?

Entendido a problematica, eu continuo. Desde a semana passada que tenho trabalhado quase incessantemente. E esse quadro se agrava por dois fatores: meu estudo é sobre uma tematica nova, e assim não tem muitos resultados quantitativos (objetivos da empresa), e é um estudo inétido, no qual não tenho muito apoio teorico (apreciações da escola). Estou num mato sem cachorro!

Ainda não comecei a escrever, mas ao menos consegui estruturar tudo na cabeça. Mas o desespero continua…

Pra relaxar eu terminei o livro. Não tenho palavras e ainda estou assimilando. Sem duvidas foi a mais prazerosa e a mais rica leitura que fiz nos outomos tempos. O livro ficou cheio de marcações que, se eu tiver uma brecha, colocarei aqui. Ou mais provavelmente no filosofias de banheiro.

As fotos eu vou colocando aos poucos. Tentarei seguir a cronologia das viagens. Bon, à bientôt!



Que venha a semana
Maio 23, 2007, 3:29 pm
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Eu queria um final de semana. Tinha feito planos, e a idéia era viver aquela máxima do carpen dien… Os acontecimentos foram maiores do que eu previ. Alias, maiores mesmo do que eu queria. Vieram um, dois, três, e estou quase no quarto. No meio, claro, as semanas. Mas não vieram sozinhas: três feriados nesse meio tempo, e uma jornada de repouso prevista para semana que vem.

Férias? Realmente parece que é isso que tenho vivido. Não trabalhava muito, vivia guiado pelos prazeres e vontades, e verdadeiramente aproveitava cada minuto. Cheguei ao ponto de esquecer dos meus objetivos, das minhas obrigações. E de tão disperso, tomei um susto quando acordei.

Sexta passada sai do trabalho afoito, ansioso pra chegar em casa. Certo, tinha um social já planejado, mas não era isso. A semana tinha sido estressante: trabalho cansativo, idéias que não se encontram, muitas oportunidades e poucas escolhas, ma alimentação… Meu desejo pra sexta a noite era chegar em casa. Tirar o sapato, descansar a cabeça e fazer um bom jantar, isso viria depois.

Nessa fissura, sai rápido do serviço e, só quando cheguei à estação de metrô, percebi que tinha esquecido a minha carteira. Sem escolha, voltei ao escritório. Com a carteira, finalmente peguei o metrô. Um pouco mais tarde, um pouco mais cheio. Me odiava, espremido entre pessoas, livros, jornais e malas. E nesse devaneio, lembrei que tinha deixado a chave com a carteira, e que por vez, acabou ficando no escritório. Meia-volta, pego chave, penso em tudo que poderia estar esquecendo, e vou enfurecido para casa. Chego, então, com uma hora e meia de atraso.

Não bastasse os lapsos de memória, ou os bons costumes de organização, ainda piorei a situação. A fome me dominava, e fui cozinhar. Queria comer bem, mas tinha apenas frango e arroz em casa: strogonoff, pensei. Errei a mão. Nos dois. Arroz ficou cru e com fundo queimado, e o strogonoff ficou sem tempero. A água, que não cabia a mim de fazê-la, estava boa. E concentrado na água percebi que algo precisava mudar.

Tenho tendência a discordar de mim mesmo, mas desta vez acatei minha decisão. Concentrei no trabalho, planejo a monografia, organizo a volta com a UFMG… Isso toma tempo. Mas, como quanto menos tempo eu tenho, mais eu faço, eu mantenho os princípios hedonistas. E ainda tento me fazer mais próximo do todos.

Agora sabem porque parei um tempo de escrever. O que aconteceu nesse meio tempo eu vou acrescentando aos poucos. Isto é, se eu agüentar fazer uma pausa na leitura de “Quando Nietzche Chorou”.

Alias, finalizo com uma citação dele. Antes de chorar.

“Você tem que estar preparado para se queimar em sua própria chama: como se renovar sem primeiro se tornar cinzas?”



venha o final de semana
Abril 27, 2007, 12:13 pm
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A semana vai se acabando, e eu vou me renovando. As pessoas mudaram ou eu mudei meu jeito de aceita-las?

Depois de uma viagem alternativa, a semana não poderia ser ruim. A unica coisa ruim poderia ser repetir a mesma historia varias vezes. Mas quanto a isso, confesso que gostei, porque a cada repetição era um novo fato que eu havia esquecido, é uma nova forma de interpretar o que passou, é um novo jeito de botar em pratica aquilo que foi acrescentado.

O curioso desses últimos dias é que, ao contrario do que eu esperava, essa vida social mais intensa me ajudou no trabalho. Trabalhei mais e melhor essa semana. Não houveram grandes mudanças, mas me pareceu mais agradável. E as pessoas ao redor também. Por isso comecei questionando quem mudou, eu ou as pessoas.

Pessoas que não cumprimentavam passaram a cumprimentar, o assunto do almoço deixou de ser trabalho e muitas vezes passou pela vida pessoal (inimaginável na cultura francesa, sobretudo numa grande empresa), me perguntaram varias coisas sobre eu, meus pensamentos, o Brasil, e assim vai. Nada de extraordinário, tudo como deveria ter sido desde o inicio. E isso torna o ambiente mais agradável.

Comecei a ler o livro que ganhei em Lille. Minha primeira leitura em francês. Oscar et la madame rose. Um livro pra crianças, com lições de gente grande. Simplesmente não agüento parar de ler e me sinto francês: leio nas esperas, leio no metro, leio andando… Só falta compreender todas as palavras! haha Uma historia que tem me feito pensar muito no bénévolat.

Falando no bénévolat, vocês conhecem o comércio solidário? No outro post me referi como comercio equitável, tradução exata de commerce équitable, mas um amigo me explicou que é um comercio solidário, e não um comercio que anda a cavalo. Bom, trata-se de um comercio alternativo, feito pra diminuir as segregações sociais causadas pelo comercio convencional. Vendem produtos agrícolas, artesanatos e etc, tudo de excelente qualidade e bom gosto, que vêm direto do Brasil, Índia, África… Vale a pena conferir. Para este final de semana, tenho programado uma passada no 3° Fórum Nacional do Comercio Solidário. Quem sabe não resulte em presentes?

Ainda para o final de semana, tem uma festa em um barco. Pois é, em um barco no Sena. Não sei quando, não sei onde, mas falaram que é legal. No mínimo é diferente, e por isso já me interessou. Além da festa, já vi que farei muitos sociais. Três pessoas, dessas que entrei em contato em Lille pra me hospedar, estarão em Paris no final de semana e falaram que irão me ligar. Como é ótimo estar nesses cafés típicos e escutar francês de verdade, acho que não negarei. E se der um tempo eu descanso. Afinal, realmente trabalhei… Finalmente.



viagem low cost
Abril 24, 2007, 3:24 pm
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Nessa de sorrir pra vida, eu me pego lendo o horóscopo na sexta feira, e lá dizia: “aventure-se”. Não tenho crença em horóscopo, mesmo porque depois fiquei curioso e procurei outros. Todos falavam de coisas diferentes, mas todos positivos. Não acredito nessa conversa fiada, mas, já que todos incitavam a descobrir novas coisas, sai mais empolgado pro final de semana.

Estava de viagem marcada: Lille, no norte da França. Uma viagem low cost (expressão inglesa dita num sotaque bem francês). Fui e voltei em co-coiturage, isso é, entrei num site na internet, olhei quem ia pra lá, entrei em contato e rachamos a gasolina. Fiquei hospedado na casa de um couchsurfer, isto é, entrei num site na internet, olhei quem disponibilizava um sofá, entrei em contato e me hospedei de graça. Viva à internet

A viagem saiu quase de graça. Mas o melhor não é o preço que se paga, mas a convivência que você tem. Não da pra dizer amizade, pois não se sabe até onde o contato vai durar, mas são momentos bacanas que ficaram sempre na memória.

Conheci o comercio equitavel e ate fui cliente. Um projeto bacana, feito pra gente e que nos não conhecemos. Tive um café da manhã de hotel cinco estrelas: croissant, pão de chocolate, bolos, frutas, e claro, a baguete. Experimentei sucos, queijos, chocolates, e um banquete franco-belga de salada e omelete. Conversei sobre musica, religião, política, historia, viagens e voluntariado. Até um livro eu ganhei. E conhecendo os outros acabei me conhecendo também

Era final de semana de eleições e fazia sol. Diferente da folia brasileira, não havia papeis nas ruas, nada de outdoors ou panfletagem. Havia alguns poucos partidários com camisas, mas silenciosos, discretos. As outras poucas pessoas que estavam nas ruas procuravam o sol. E pareciam felizes, longe do stress de uma grande cidade

Meus programas foram interessantes e divertidos: descobrimento da cidade com direito a experimentar o kebab e tomar um suco em um café com mesas na rua, passeio por um circo e uma antiga fortificação, visita ao zôo e a um imenso parque na periferia, visita ao estádio do Lille, e uma caminhada num bairro adaptado a deficientes. As noites não foram regadas à álcool, e foram muito divertidas. A primeira em um barzinho seguido de uma caminhada de madrugada, e a segunda começou num jantar, passou por um show de uma banda do cenário independente, e terminou numa animada discussão sobre cultura. Resumo: foi perfeito

Depois me perguntei porque resolvi ir a Lille. Estranho, mas escolhi simplesmente pelo nome. Gostei. Ainda bem que gostei!



falando muito, sem falar nada
Abril 17, 2007, 3:31 pm
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Afinal, o que mudou por aqui? Bom, teve uma mudança razoável do tempo, do clima. O dia ficou mais longo, com sol até quase nove. E um sol quente, gostoso. E não bastasse aquecer o dia, ele deixava a noite também agradável. Enfim, os agasalhos foram colocados de lado e tirei minhas bermudas da mala. As havaianas nunca saíram dos pés, mas dessa vez foram para as ruas. E as ruas estão cheias de pessoas estampando sorrisos, com a expectativa e a empolgação de quem vem da escuridão. E deitam nos jardins, namoram nos parques, fazem caminhadas, passeios de bicicleta, andam de patins. Fotos aqui, fotos ali, e, de repente, o Sena vira praia. E a cidade se colore: é o verde que retorna às arvores, e as flores que aparecem nos canteiros. Para todo lado se escutam as musicas dos mais inusitados músicos, que só param para rodar o chapéu. Os cafés, os mercados, os monumentos: é a saída do parisiense e chagada do turista. E uma felicidade brotando onde parecia não ter mais esperança. O gelo parece derreter.

Não sei dizer se essa mudança no clima trouxe uma outra Paris ou eu que mudei minha forma de vê-la. Posso dizer que estou gostando.

E nesse pouco tempo de primavera ja fiz tanta coisa. Um grande avanço para quem não vinha fazendo nada. E o nada vira tudo. São novas pessoas, novos lugares, novas piadas, e o velho eu.  Até o submundo do primeiro mundo eu conheci: em BH eu não passaria perto, mas aqui me diverti. PDs estão pra todo lado, e na rima, francês esta condenado. E vou no embalo de cachaças e sonhos de valsa, da goiabada com queijo e da pimentinha, do suco de caju e do feijão, do morango com leite moça… Num tom bem brasileiro, ginga daqui, ginga de lá, e eu passo o tempo, fazendo muito, sem fazer nada.



velhos fatos, novos ares
Abril 13, 2007, 9:44 am
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Eu sou realmente um cara estranho: quanto mais coisas acontecem, menos eu escrevo. E não é falta de tempo. Bom, o que percebi nesta historia é que deixando pra depois, as historias se acumulam até um nível em que a preguiça me faz selecionar o que falar. Ultimamente tem acontecido muita coisa louca, mas deixar de lado o que se passou na semana passada é uma pena. Bom, enfim, comentarei por alto. Alto como meu estado de espírito.

Recebi meu primeiro salário. O maior até hoje, mas o menos merecido. Senti uma sensação estranha, uma mistura de alegria e emoção. Estou aqui, é real: reunião, terno, sapato, calo. Pompa, prestigio e enganação. Apenas enrolei esses últimos dias. Tenho uma missão à cumprir e vou cumpri-la, mas até agora fiz pouca coisa, e isso tira o mérito do salário. E nessa fútil discussão do que é ou não merecido, eu vou gastando, me consolando (não sei do que).

E como sou estranho, não estou rendendo justamente na hora que mais tenho tempo livre. Acabaram-se trabalhos, acabou-se escola. Agora apenas o estagio de 9-17. Preciso aprender o tal do ócio criativo, pois o meu tem sido punitivo. Procurei cursos de culinária, mas os da prefeitura começaram ha algum tempo. Uma pena pois são bons e baratos. Gastronomia francesa é certo que será impossível. Alguém quer financiar? Prometo recompensas ao fogão à lenha.

A páscoa passou e eu não vi. Não estava muito atento, é verdade, mas ela também não fez esforço de se manifestar. Vai entender cultura francesa. Nada de feriado durante a semana santa e na segunda-feira seguinte tudo parado. No meu olhar a segunda não teve nada de religiosa. Talvez tenha sido um dia para curar a ressaca. Ou pedir perdão por ter passado em branco a ressurreição. Eu não achei ruim e aproveitei pra passear.

Ah, mas chocolates não faltaram! Pra não dizer que não tive páscoa, ganhei um coelhinho da minha família, mas só. Os outros chocolates eu comprei por aqui mesmo. E estou pensando seriamente em decretar chocopascoa o ano todo. Sobretudo de origens belgas. Como é bom! Como muito.

Minha bola de basquete foi estreada. Sua textura áspera, o barulho incessante do quique e os contatos nem sempre amigáveis ha tempos não me davam tanto prazer. E nem me deixavam tão sem fôlego. Francês são horríveis. Duros como eu pra dançar. Ainda bem que existem tunisianos, espanhóis, americanos, africanos… Hoje terá outra vez e espero não adquirir novos roxos como da ultima vez.

Bom, mais o mais legal dos ultimos dias foram as mudanças. Aqui nada foi criado, a natureza apenas se transformou e confirmou Lavousier. E essa mudança magica coincidiu com a chegada de um colega em mochilão pela Europa. Se não bastasse mudanças naturais, ele também trouxe mudanças, e isso rendeu muita historia pra contar. Mas essa eu deixo pra proxima!

à bientôt!



sempre atrasado
Abril 3, 2007, 11:29 pm
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Estou no meio da semana e venho contar do final de semana. Sempre atrasado! A verdade é que a Modela esta certa: não posso cantar “ando devagar porque ja tive pressa”. De fato ando devagar, mas jamais tive pressa. Pra que? 

Bom cortei cabelo! Fato tolo que, salvo em mudanças bruscas, passa despercebido. Não mudei muito, mas dessa vez não passou despercebido. Alias percebi o quanto é bom. As duas ultimas vezes eu mesmo havia cortado, e a outra tinha sido a Lud. Gostei da experiencia do do it yourself, mas um bom acabamento faz falta. Verdade que os 15€ fazem mais falta. 

Esse foi o fato bom do final de semana. O contexto até inspirava um bom final de semana: previsão de bom tempo, horóscopo favorável, visitas e eventos culturais gratuitos. Faltou um pouquinho de sorte. Ou de responsabilidade… 

Aquele velho trabalho que me restava, pois então, ele foi meu azar. Deveria ter feito com antecedência, mas sou do ultimo minuto. O que eu não contava é que no ultimo minuto poderiam surgir coisas mais interessantes. Resultado: nem um, nem outro. 

O trabalho foi a maior bricolagem de todos os tempos. O professor pediu 10 paginas, e em 8 eu não tinha conseguido fazer uma introdução. Deixei de lado e comecei a brincar com fragmentos de texto. No fim, 27 paginas. O assunto é interessante, mas pra fazer um bom trabalho seria necessário ao menos dois meses. Eu estou cansado! Quis deixar cair… Caiu! 

Fazendo essa meleca de trabalho eu deixei de aproveitar da companhia de um velho amigo. O Léo de Uberlândia passou por aqui com sua namorada tcheca. Foi bacana: velhas historias, novos sonhos, outro pais, mesma cultura. Conheci a mesma Paris, de outros angulos. E o Louvre ainda não tinha sido tão cultural. E aproveitei pra cozinhar o que não tenho costume, e acabamos jantanto muito bem. E a tcheca adorou a palha italiana. 

Passamos todo o tempo falando em francês pra agregar sua namorada e meu coloc. Agora coisa engraçada é brasileiro conversando
em francês… Sempre tem uma palavrinha de portugues que sai afrancesada! E ridiculo! Mas bem engraçado… E poético. E garotos inventam um novo francês…
 

Somos quem podemos ser… 

Sonhos que podemos ter…